Dois Mundos

Vendo as fotos do Éder, e acompanhando o dia-a-dia do Fato Novo, vejo as diferenças entre os meios de produção de cada veículo. Claro, não dá para comparar a estrutura do jornal NH com a do bi-semanal do Vale do Caí.

Entre as diferenças que mais chama a atenção pela grandiosidade (e aí coloco também a grandiosa diferença em velocidade e quantidade de produção) está na impressão. O NH utiliza uma novíssima rotativa Uniset que é capaz de produzir 60 mil jornais por hora. Já o Fato Novo se orgulha de sua mais nova aquisição, feita esse ano. Uma Solna bicolor, ano 85, que imprime 7 mil folhas por hora. A diferença de produção, que já é grande, fica muito maior quando lembramos que a máquina do NH imprime o jornal inteiro de uma vez só e já o deixa acabado, com corte e dobra. A Solna é uma máquina plana, e não uma rotativa, ou seja, ela trabalha com resmas de jornal e não bobinas. Para que o leitor entenda, façamos um pequeno exercício matemático.

Se você separar uma folha de qualquer jornal que tiver ao seu lado verá que ela possui quatro páginas. O que uma máquina como a do Fato Novo faz é imprimir uma folha com 4 páginas de cada vez. Primeiro imprime um lado com duas páginas e depois a folha é colocada virada para imprimir o outro lado (verso). Imaginemos que o NH trabalhasse com uma máquina igual a do Fato Novo para imprimir sua edição diária. Levemos em consideração apenas o caderno principal com 40 páginas e uma tiragem de 43 mil exemplares. 40 páginas são iguais a 10 folhas. Como a Solna imprime 7mil/hora levaria 13 horas para imprimir apenas 4 páginas, pois teria que se passar duas vezes para imprimir frente e verso. Ou seja levaria mais de 5 dias ou 130 horas entre troca de chapas, colocação de papéis e demais trabalhos técnicos para imprimir o NH numa máquina pequena. O jornal de segunda-feira só poderia ser entregue no sábado. Já a Uniset faz esse mesmo trabalho em menos de uma hora. Que diferença, né?

Esse é um exercício simplista, pois ainda não estou contando as páginas coloridas. Se fôssemos considerar apenas a capa em policromia, esse tempo já chegaria a 6 dias de impressão e em compensação nada mudaria na moderna Uniset.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos e louvamos a tecnologia que aproximou as pequenas e grandes empresas jornalísticas em torno do computador ficamos tontos com o abismo que separa empresas de sucesso e competência das grandes metrópoles com as emergentes e corajosas redações do interior.

A gráfica fica em um antigo prédio que já abrigou um alambique

There are no comments on this page

Leave a Reply